
Estive com sorte ao finalizar a leitura de um livro encantador nessas férias de Junho e Julho. Eu o tinha visto na livraria e a capa me chamou a atenção. Comecei, então, a folheá-lo e fiquei encantada: tive que comprá-lo!
Não me decepcionei de forma alguma. O livro é fascinante e o autor, Da Chen, o faz fluir de uma maneira incrível. Quando me dei conta não conseguia fazer outra coisa senão acordar e pegá-lo logo para ler. Fui até tachada de antisocial pela minha família por causa desse livro (risos).
"A Montanha e o Rio" se desenrola na China dos anos 60 e a história é contada pela perspectiva de dois irmãos: Tan e Shento. Em cada capítulo ou Tan ou Shento conta a sua versão da história que vai evoluindo através dos anos e da maturidade dos irmãos.
Filhos do mesmo pai e de mães diferentes: Tan é o filho primogênito do grande general Ding Long e de uma pianista; uma linda mulher vinda de uma família também muito influente. Shento, por sua vez, é bastardo e filho de um relacionamento cladestino de Ding Long com uma bela camponesa.
A história começa logo pela perspectiva de Shento contando sobre as dificuldades de seu nascimento e da rejeição que marcou sua vida quando ainda nem sequer havia vindo ao mundo.
O mais interessante, porém, é que o romance tem como cenário os tempos de ditadura de Mao Tsé Tung e conta com uma riqueza de detalhes todas as injustiças, a pobreza e a falsa planificação de um governo comunista violento e repressor. Também relata a queda do governo Mao, a ascenção de outro presidente, Heng Tu, e a mudança na economia que lentamente passava a se abrir para o mundo enquanto o lado social e político ainda eram severamente mantidos em rédeas curtas.
A mistura da ficção, da realidade histórica, do romance e da dor de dois irmãos atingidos por um modelo político impiedoso e sutil me mantiveram cativa do livro até o final. É impossível criar um único vínculo com Shento ou com Tan. Os dois sofrem de maneiras diferentes e acabam se apaixonando por uma mesma mulher: Sumi.
Sumi é dona de uns poucos capítulos no livro e também relata neles a sua perspectiva da situação, a sua confusão emocional e moral, além da luta silenciosa que ela trava contra o governo comunista chinês...
Enquanto a história se desenvolve, cada personagem envereda por caminhos diferentes. Caminhos, entretanto, que levam a uma encruzilhada em que cada um deles terá que se deparar um com o outro.
O autor pesquisou muito o contexto histórico para criar um romance realista e ele conseguiu. O romance ganha vida através de seus personagens e dos detalhes que o autor faz questão de realçar. Só posso dizer que este foi, com certeza, um dos melhores livros que já li.
"Apaixonada por dois irmãos! Eu amaldiçoava o meu próprio destino, as três facas cravadas nele. Quem eu deveria escolher? Shento, com sua crueza da gente das montanhas e sua sede desesperada? Ou Tan, com o coração amoroso que tranquilizava minha mente, sem deixar espaço para a mágoa e a solidão, fazendo com que eu não precisasse de mais nada? Um morreria por mim. O outro não viveria sem mim". - Sumi
"Apaixonada por dois irmãos! Eu amaldiçoava o meu próprio destino, as três facas cravadas nele. Quem eu deveria escolher? Shento, com sua crueza da gente das montanhas e sua sede desesperada? Ou Tan, com o coração amoroso que tranquilizava minha mente, sem deixar espaço para a mágoa e a solidão, fazendo com que eu não precisasse de mais nada? Um morreria por mim. O outro não viveria sem mim". - Sumi