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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Intrínseca mudança

Eu ultimamente tenho feito o exercício de me olhar no espelho. Não uma olhada comum no intuito de ajeitar os cabelos desalinhados ou checar a maquiagem. Na verdade, é um olhar interno... Daqueles que desnuda a alma.

Após estes últimos anos eu me sinto muito mudada. Desde sempre sinto que carrego duas personalidades comigo: uma delas é jovial, risonha, gosta de estar entre muitos amigos e é muito curiosa aos segredos da vida e a tudo o que diz respeito aos seres humanos; a outra é muito recatada, tímida talvez, gosta de lugares calmos e situações que lhe transmitam segurança... Definitivamente não gosta de excessos.

Muitas vezes essas duas personalidades se chocaram e eu fiquei perdida. Não sabia como agir em muitas situações e simplesmente fiquei apática. Não fiz nada. Deixei a correnteza me levar pra onde quer que ela quisesse, mas isso também não me fazia bem. Esta sensação de se sentir fora de controle me apavorava de certa forma...

Percebo que a pior sensação do mundo é aquela em que me sentia perdida em mim mesma, num total e completo vazio...

Agora, contudo, venho buscado minha paz interior. Percebo que não adianta forçar a felicidade sendo uma coisa que não sou. Essas personalidades são partes de mim e eu devo respeitar seus desejos e seus limites.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

As pessoas que ficam

No post passado eu falei sobre o fim e finalizei dizendo que o próprio fim é um recomeço. Sim, um recomeço. Uma ironia, não? Mas é a verdade.

A cada fim nós mudamos - nos transformamos em outras pessoas. E isso é necessário. Acredito que nossa missão seja mudar. Mudar sempre e pra melhor.

Certa vez Clarice Lispector disse que somos uma eterna metamorfose - um eterno esboço inacabado.

Entretanto, mesmo que a mudança seja evidente e intrínseca, as pessoas que marcam, vão e saem de nossas vidas deixam sua presença para sempre. Um sopro. Uma lembrança.

Depois que a dor da perda repentina passa, conseguimos ver a importância que um dia essas pessoas representaram para nós. Lembramos dos bons momentos e nos pegamos rindo sozinhos. Por vezes ainda choramos - não com dor - mas com uma doce saudade.

Também sabemos que com o tempo nos esqueceremos de muitas coisas. As lembraças - hoje nítidas - irão se tornar borrões, mas mesmo assim conseguiremos lembrar dessas pessoas. Simplesmente porque certas pessoas marcam e ficam pra sempre.

Como disse Drummond: "Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata".

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Fim de ano...

Passei muito tempo sem escrever. Final de ano na faculdade e foram tantas provas e preocupações... Bom, passei para o 2º ano da faculdade!

Depois, quando acabou tudo, estava tão empolgada para rever os amigos, procurar novos livros e ler as notícias do mundo que a inspiração de escrever foi-se embora sem mais nem menos. Gosto de escrever quando me sinto inspirada, quando sinto que algo dentro de mim me impulsiona para que eu possa transpor a matéria e pôr a minha alma naquilo que escrevo.

E, agora, como não vou mais viajar estarei aqui escrevendo e lendo como antigamente! Ah, doces férias...

Mais um ano termina e agora é hora de rever o que fizemos no ano de 2009 - os erros e os acertos. Também é hora de pensar no que será feito em 2010 e ter pensamentos positivos. Agradecer pela vida e por todos aqueles estão do nosso lado.

Vivemos num ciclo de início, meio e fim. E, portanto, cada ano novo é uma bênção! Então, vamos festejar!

Espero que todos tenham tido um Natal maravilhoso e que o ano de 2010 venha trazer muitas reflexões e mudanças positivas!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Dancem, Macacos, Dancem!



Pois é, agora vou dançar. Digo... Estudar.


(Amanhã tenho prova de Direito Civil)

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Amor platônico e o fim de um ciclo

Lá estava eu no auge de meus 14 anos bem perto de fazer 15. Era uma quinta-feira ensolarada, porém era um dia atípico no meu colégio e todos estavam eufóricos; ao invés de termos a última aula do dia nós teríamos algo parecido com uma palestra no teatro da Escola.

Eu não sabia o que estava acontecendo e tão pouco me importava. Achava legal e estava contente com uma aula diferente, mas não sabia sobre o que seria e nem quem seria o palestrante.

Eu peguei minha bolsa, meus materiais e junto com minhas amigas fomos para o teatro. Lembro-me muito bem que sentei na segunda fileira do canto direito, ou seja, eu ia ver perfeitamente o palestrante dalí.

Conversando com algumas meninas, momentos antes da palestra começar, soube que o palestrante era um cartunista famoso e obviamente me empolguei quando soube. Fiquei muito ansiosa quando ele apareceu de costas, ainda falando com nossa coordenadora.

De repente ele virou e, ao invés de subir para o palco, ficou na platéia com o microfone na mão. Naquele momento a única coisa que veio na minha cabeça foi: "Lindo!". Ele era, na minha concepção ingênua, o homem mais maravilhoso que já havia visto na vida.

Fiquei fixamente olhando, sem conseguir desviar o foco sequer um minuto enquanto ele gesticulava e conversava brincando conosco. Ele sorria com um brilho nos olhos enquanto falava sobre o prazer de desenhar, de fazer o que gosta e da necessidade de conscientizar as pessoas através de seu trabalho. E quanto mais ele falava mais encantada eu ficava...

Ele era tudo o que eu, uma garota madura de 14 anos (pelo menos era assim que eu me considerava), havia sonhado: jovem, idealizador, bonito, maduro e inteligente. O que mais eu poderia querer?

Quando a palestra terminou eu não resisti ao impulso de me aproximar e senti uma raiva dentro de mim quando vi que outras meninas também não haviam resistido. Eu fulminei cada uma delas com meu olhar discreto enquanto eu ainda o via sorrir e falar com uma simplicidade encantadora.

De repente, eu percebi estarrecida que eu estava tendo o meu primeiro amor platônico. Nunca antes havia me sentido tão encantada por alguém. Quando a ficha caiu eu me senti imatura...

Eu sempre havia dito que amor platônico não existia, que era uma ilusão criada por uma pessoa infântil que ainda sonhava com contos-de-fada. Para a minha surpresa o feitiço havia virado contra o feiticeiro. Eu, na verdade, era a pessoa infantil que ainda sonhava com contos-de-fada...

Me envergonhei, mas continuei olhando fixamente para ele enquanto falava algumas poucas vezes sobre a palestra. Ele, de repente, deu um sorriso aberto para mim e perguntou-me se eu ia para a Bienal do Livro. Eu senti meu coração disparar e minhas bochechas ruborizarem quando percebi que a pergunta era direcionada a minha pessoa. Eu respondi um tímido "sim" e ele sorriu mais abertamente ainda mandando-me procurá-lo em seu estande. Eu só pude sorrir de volta, abobalhada, enquanto sentia uma felicidade sem tamanho crescer dentro do peito. Eu sempre havia amado a Bienal do Livro e naquele momento havia surgido mais um motivo para amá-la ainda mais.

Saí do teatro com uma cara de quem havia ganhado na Mega Sena. Eu contei para as minhas amigas e elas riram me dizendo que não o havim achado tão incrível assim, mas eu não me importei. Ele era, para mim, maravilhoso.

Naquele mesmo dia, descobri que ele era o tio de uma das minhas amigas com quem eu conversava as vezes. Descobri, também, que ele tinha 24 anos e para mim foi um choque. Ele era jovem, mas definitivamente não para a minha pessoa. Eu tinha apenas 14 anos e ainda nem havia sequer entrado no Ensino Médio. A minha cabeça, naquele instante, sentenciou que ele nunca ia me ver como mulher.

Fiquei desconsolada e decidi manter, de fato, um amor platônico: olhando-o e admirando-o a distância até crescer e ter meus 18 anos quando ele, finalmente, veria a mulher que eu havia me transformado. Aquele era meu plano e com o tempo foi esquecido. Continuei a ir para a Bienal do Livro, a vê-lo e conversar algumas poucas vezes com ele, mesmo quando eu tinha que lembrá-lo de onde ele me conhecia...

Hoje, eu tenho 18 anos e descobri, por coincidência, que aquele meu primeiro amor platônico está namorando e teve um filho neste mesmo ano. Não pude deixar de sentir uma dorzinha e, ao mesmo tempo, uma nostalgia gostosa quando eu lembrei do meu inocente plano de quatro anos atrás e de como o mundo sempre dá voltas...

*Quadro do início do post de Josephine Wall - Prelude to a Kiss

sábado, 15 de agosto de 2009

CECI

Primeiramente eu gostaria de pedir desculpas! Estou sem tempo de passar nos blogs que normalmente leio e eu fico tão agoniada quando vejo as atualizações e a falta de tempo para ler. Eu fico aqui morrendo de vontade (virou um vício - risos) de ver os posts, de comentar... Ai que tortura! Minha faculdade ta me tirando o couro, mas vou ler com calma e com muito carinho ainda essa semana!

Novidades! Fiz minha inscrição no CECI (Centro de Cidadania) no qual eu vou dar aulas para adolescentes carentes de escolas públicas. Estou tão empolgada!

Já foi decidido que vou dar um curso de 5 dias com mais cinco participantes no meu grupo. O tema será "bullying" e achei maravilhoso poder falar sobre isso. Fiquei espantada com a quantidade de informações e possibilidades que poderemos fazer com este tema que é algo que ocorre muito nas escolas independentemente se for pública ou privada.

No início eu queria poder falar sobre meio ambiente e sustentabilidade, mas acho bullying igualmente interessante e algo mais próximo desses adolescentes. Percebi nesse meio tempo que muita gente não sabe o que é o bullying: minha mãe, por exemplo, não sabia e ela é uma professora universitária.

A culpa não é dela. O bullying é um tema que surgiu recentemente e que também foi nomeado recentemente. Nem sequer temos uma tradução própria para essa palavra em português.

O ato de violência física ou psicológica contra uma pessoa pode ser chamado de bullying. Bully significa com algo próximo de "valentão" e bullying o ato de intimidação.

Quem nunca sofreu com o bullying que atire a primeira pedra! Um apelido pejorativo quando criança, um insolamento proposital dos coleguinhas ou difamação.

O bullying pode apresentar-se como uma brincadeira de mal gosto sem muitas consequências, mas não é bem assim. A vítima do bullying pode sofrer traumas que vão durar para sempre ou até cometer atos extremos como o "bullycídio" ou atos de revolta como aquele visto na escola de Columbine nos Estados Unidos.

Já estabelecemos o esquema de aulas e segunda vamos começar a dividir o trabalho. No momento estamos só na fase das pesquisas. Em alguns dias de apresentação também seremos avaliados por uma banca examinadora e, com isso, concorreremos ao prêmio jurídico Adroaldo Leão além das 40 horas de atividades extra-curriculares (risos). Torçam por mim!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Viajar é preciso!

Ah, como é difícil voltar as aulas depois de 40 dias de férias. Ta complicado de acordar cedo, de dormir cedo e já tenho um monte de livros e apostilas pra ler. Até parece que nem saí de férias...

Também não viajei para lugar nenhum nesses 40 longos e passageiros dias. Senti falta de ir para algum ambiente diferente. Fiquei pelas redondezas e depois, somente, a minha casa. Já não estava mais aguentando olhar para a mesma parede todos os santos dias... Por incrível que pareça eu tava rezando para as aulas começarem.

Não é que eu não goste das minhas aulas. Eu adoro! Mas... Ah! Eu queria ter aproveitado mais! Ter rido mais, ter saido mais e, principalmente, viajado!

Não tem nada melhor do que sair de férias, organizar um grupo grande de amigos, pensar num lugar interessante e sair pela estrada ouvindo um bom CD, iPod, mp3 e afins calmamente.

No início desse ano eu viajei para a Chapada Diamantina (BA). Foi encantador! Conheci pessoas incríveis, fiz belas amizades, entrei em contato com a natureza e, enfim, me senti viva! A Chapada é um dos destinos mais místicos que existe. Não tem como você não se emocionar. Lá a energia é diferente: é mais forte, mais perceptível, mais pura!

Estou com o livro de Direito Civil aberto olhando meus esquemas no caderno e sentindo uma saudade que chega a ser dolorosa dentro do peito ao lembrar dos momentos mágicos na Chapada e das pessoas que também foram mágicas...

Eu Recomendo: Ir para a Chapada Diamantina ou no meio do Ano (em épocas de Junho para curtir os festejos juninos) ou no final (dezembro ou janeiro - pode ser fevereiro também). Na minha opinião, no meio do ano a melhor cidadezinha seria Mucugê ou a Vila do Capão. No finalzinho tanto faz, mas eu não recomendo muito Lençois. Como é uma cidade muito procurada e o centro turístico da Chapada ela perdeu o charme de cidade pequena. A Vila do Capão é muito conhecida pelo seu ar místico e hippie enquanto Mucugê pela graciosidade. Ambas, para mim, são o melhor ponto de partida para se conhecer a Chapada (que é enorme).

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

(Amyr Klink)