sexta-feira, 2 de julho de 2010

A vida como ela é

Engraçado como a vida às vezes nos prega umas peças que, na hora, nos irritam. Mas depois a gente acaba analisando tudo com a calma da serenidade e entende o que se passou como um aprendizado. A gente erra o tempo todo, pois se não errássemos não seriamos humanos.

Pessoas vem e vão de nossas vidas, mesmo que algumas permaneçam por mais tempo que outras. A verdade, entratanto, é que todas elas estão fadadas a irem embora de alguma forma e pra isso precisamos estar preparados para o "adeus". Essa dor que vem da despedida também é uma forma de aprendizado. Não existe melhor professora do que a dor, mesmo que ela seja cruel.

Podemos aprender sem dor... Verdade. Contudo, quando sentimos na pele, a tendência é que estejamos mais prontos para não sentirmos novamente.

Viver tem essa beleza abstrata que mistura alegria e tristeza; dor e prazer. Uma beleza que alguns não vêem, alguns negam e outros admiram. Não há certo e errado no quadro da vida. Existe aquilo que concebemos como certo e errado, pois cada um pinta a vida como quer.

A verdade é que não existe julgamento.

Não existe punição.

Existe a consciência.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Amor?!

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor. Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR".

(Carlos Drummond de Andrade)

Amanhã, que é um dia tão divulgado pela mídia, eu não poderia deixar de expor aqui o que eu penso. Belíssimo o texto de Drummond. Idealiza o "amor" e o relaciona até com o polêmico "amor à primeira vista".

Nós, mulheres, temos uma certa tendência a acreditar no príncipe encantado. A querer acreditar que seremos as escolhidas a viver um grande amor daqueles que lemos em romances ou assistimos em filmes.

Tudo balela.

Não é que eu esteja dizendo que o amor não existe nem nada do tipo. Vejo muitas histórias de arrancar lágrimas dos mais insensíveis. O que eu quero dizer é que esse amor "perfeito" não existe.

Na minha concepção eu vejo a paixão como o primeiro passo - a química e uma vontade absurda de ver novamente "aquela" pessoa. Nesse meio tempo a gente acaba, sem querer, idealizando a pessoa. Isso porque até então tudo é um mar de flores.

Depois, se der certo e se ambos quiserem apostar num relacionamento, é que vem a prova de fogo. Vem o dia-a-dia, os problemas, o desgaste e é aí que você realmente vê quem é quem. A vontade de estar junto pode prevalecer ou não. Se prevalecer e aguentar o tranco dessa vidinha complicada eu diria que este é um relacionamento que está bem próximo do amor.

Eu acredito que o amor é a maturação de um relacionamento. É o companheirismo, a cumplicidade e o abraço nas horas difíceis. É o riso, é o sexo, é a brincadeira e a gastação um com o outro.

Enfim, é o lado bom e o lado ruim.

Com todo o respeito a Drummond... Contos de fada não existem, ne?

domingo, 9 de maio de 2010

A maior solidão

"A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a dor do ser que se ausenta, que se defende, que se fecha, que se recusa a participar da vida humana.

A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, o que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro.

O maior solitário é o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes de emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto de sua fria e desolada torre".

(Vinícius de Moraes)

Ah! Vinícius e suas sábias palavras que sempre me fazem pensar. Eu prefiro errar, chorar e sentir a maior dor do mundo a me enclausurar em mim mesma. Sou humana e me orgulho de dizer isso.

Minhas emoções... Nada pode comprá-las, saná-las ou apagá-las. Meus erros me fortalecem e me fazem mais mulher. Sinto o gosto do fel das minhas derrotas, mas também sinto o doce das minhas vitórias. Assim como a luz não existe sem a escuridão, não há felicidade sem dor.

Sigo em frente buscando meu equilíbrio profissional, emocional e espiritual.

O equilíbrio e nada mais.

sábado, 17 de abril de 2010

Focada

Não tenho escrito muito ultimamente, mas minha cabeça não para de funcionar. Eu tenho pensado sobre diversas coisas e estou numa fase bem contida da minha vida - analisando a mim mesma, as pessoas que me rodeiam e o meu universo particular.

A faculdade vem me sugando bastante e eu até que tenho gostado disso. Estou sentindo um certo tipo de prazer em estudar enlouquecidamente - me mantendo ocupada desse jeito eu consigo ampliar meu grau de visão. Contudo, eu preciso de um tempo pra mim. Respirar um pouco e encontrar meus amigos.

Ah, meus amigos. Uma coisa é certa: eu tenho muita sorte em tê-los. São pessoas incríveis e no quesito amizade eu tenho certeza que sou extremamente abençoada.

Entretanto, eu estou bem focada. Sabe aquela sensação que você tem quando se está fazendo tudo direito? Sei bem o que eu quero e agora creio que estou no caminho certo. Nunca me senti assim antes e é uma sensação de segurança muito gratificante. Até porque eu sei que se eu cair eu tenho em quem me segurar.

Afinal de contas... Todos nós precisamos nos encontrar algum dia.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Estado de graça

Mais um mês e eu estou tão cansada que mal consigo ter forças pra levantar da minha cama pela manhã. Cansei da minha rotina. Tenho uma vontade louca de sair por aí sem rumo. Largar tudo e ir me enterrar em algum buraco onde eu possa coexistir somente comigo mesma e mais algum ser humano doido o suficiente pra me acompanhar nessa empreitada.

Entretanto, apesar desse cansaço todo, existe uma centelha de mudança em mim. Algo novo que me impulsiona a seguir em frente e deixar pra trás o que deve ser deixado. Me sinto mais viva e mais feliz comigo mesma.

Tenho buscado em mim o meu amor próprio e pude perceber o quão especial eu sou. Ninguém precisa me dizer isso. Estou satisfeita em me olhar no espelho. Estou mais bonita, mais alegre e cheia de esperanças.

É uma mudança positiva que me fez ver a maravilha de se praticar o desapego. Eu não preciso de ninguém pra me completar - eu me completo. Não é que eu queira ficar só... Até porque eu estou muito longe de ser um estóico. Definitivamente, eu não gosto da solidão. Eu gosto e quero pessoas que me complementem. E completar e complementar são duas coisas bem diferentes.

Vivo um dia de cada vez, saboreando cada vitória e me divertindo com pequenas coisas. Antes a minha pressa de ser feliz fazia com que eu buscasse a felicidade de maneira desenfreada. Hoje eu vejo que isso não funciona. É como dar um tiro no seu próprio pé.

Estou vivendo com muita calma. Estou em pleno estado de graça.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Observando o céu

Era um belo dia de sábado. Estava sentada na varanda e comecei a olhar curiosamente as nuvens brancas. Os pensamentos voaram para longe enquanto eu fazia uma retrospectiva da minha vida, das minhas aspirações e sobre a interrogação do meu futuro.

Abracei minhas pernas de encontro ao peito e fechei meus olhos totalmente absorta. Me perguntava como seria daqui pra frente. Quais seriam as dores, as alegrias, as derrotas e os ganhos que eu teria? Como eu reagiria?

O princípio da vida é saber se erguer sem pompa e tratar bem os semelhantes, ou seja, saber ser humilde.

"O mundo dá voltas". - Meus pais sempre diziam. - "Hoje você pode estar por cima, mas o amanhã é uma incógnita. Você precisa se cercar de pessoas boas".

O problema desse conselho é saber quem são as pessoas boas. O sorriso de alguém pode ser uma máscara. Além disso, temos a tendência natural de achar que o outro pensa como nós - nos espelhamos no outro. E, meu deus, como isso é perigoso...

E quanto ao amor? Como reagir diante desse sentimento tão ambíguo e paradoxal? Nos enganamos tanto com nós mesmo - os sentimentos se confundem. Imagine, então, com o outro?

Paixão e amor... Como defini-los desde o início com a razão e não com a emoção?

Tantas dúvidas, mas apenas uma certeza: A de viver plenamente cada dia que passa e saborear os bons momentos ao lado daqueles que consideramos especiais.

É preciso saber evitar o sofrimento, mas nunca esquivando-se dele a ponto de perder a felicidade...

domingo, 14 de fevereiro de 2010

As pessoas que ficam

No post passado eu falei sobre o fim e finalizei dizendo que o próprio fim é um recomeço. Sim, um recomeço. Uma ironia, não? Mas é a verdade.

A cada fim nós mudamos - nos transformamos em outras pessoas. E isso é necessário. Acredito que nossa missão seja mudar. Mudar sempre e pra melhor.

Certa vez Clarice Lispector disse que somos uma eterna metamorfose - um eterno esboço inacabado.

Entretanto, mesmo que a mudança seja evidente e intrínseca, as pessoas que marcam, vão e saem de nossas vidas deixam sua presença para sempre. Um sopro. Uma lembrança.

Depois que a dor da perda repentina passa, conseguimos ver a importância que um dia essas pessoas representaram para nós. Lembramos dos bons momentos e nos pegamos rindo sozinhos. Por vezes ainda choramos - não com dor - mas com uma doce saudade.

Também sabemos que com o tempo nos esqueceremos de muitas coisas. As lembraças - hoje nítidas - irão se tornar borrões, mas mesmo assim conseguiremos lembrar dessas pessoas. Simplesmente porque certas pessoas marcam e ficam pra sempre.

Como disse Drummond: "Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata".