terça-feira, 3 de abril de 2012

Adeus, Amélia?!

As mulheres são os seres mais admiráveis do mundo. É incrível o quanto elas foram subordinadas, exploradas e subestimadas (e, mesmo assim, deram a volta por cima). O fato é que elas têm mostrado ao mundo o quão forte são e que não precisam de homem nenhum para alcançar o sucesso.

Lendo o Blog da Natália Klein recentemente não pude não pensar no texto sobre relacionamentos, carreira e etc: One is the loneliest number. Vivemos numa sociedade que preza muito mais pela individualidade do que a sociedade do tempo dos nossos pais, por exemplo (quiçá dos nossos avós). Mulheres já não são mais donas de casa que esperam ansiosamente pelos seus maridos ou jovens assíduas esperando o tal pedido de casamento. Não somos mais preparadas desde meninas a cozinhar, lavar, passar e etc (falando a verdade: eu não sou lá essas coisas na maioria dessas tarefas citadas).

Há alguns anos atrás (não muitos, devo dizer), eu tinha um discurso bem "Amélia" mesmo. E, com o passar do tempo, eu não quis mais ser a Amélia de homem nenhum. Fui percebendo que o ser humano é muito maquiavélico, dissimulado e, na maioria das vezes, idiota (digo ser humano pra não dizer "homens" - afinal, mulheres também são assim). O ponto é que, por mais independente que a mulher possa ser hoje em dia, homens e mulheres continuam muito diferentes (na grande maioria das vezes). Fazendo uma análise sociológica das relações das minhas amigas (fazendo, inclusive, uma retrospectiva das minhas próprias relações mal sucedidas), eu posso dizer que elas mergulham de cabeça naquele relacionamento que estão tendo e, passado algum tempo, o resultado, geralmente, é o desaparecimento repentino do cara, um fora tácito (ou não) e tudo o mais.

Eles, infelizmente (ou não), ainda são criados para o desapego enquanto as mulheres ainda querem o chamado "algo mais" ou relacionamento sério ou qualquer coisa que você quiser chamar isso. O fato, é que isto vai alcançando um nível de necessidade assustadora com o passar do tempo (e isso vai depender de mulher para mulher). Claro que isso acontece com o homem também. O problema é que o tempo para os homens demoram duas vezes mais para alcançar esse tal nível desesperador.

Apesar da revolução feminista, da queima dos sutiãs, da liberação do sexo, da reprodução independente... Toda mulher ainda tem um pouco de Amélia. Ou é cuidadosa e gosta de ser cuidada, e/ou gosta de cozinhar, lavar, passar e/ou então quer ter o tal do alguém ao seu lado. O alguém. Esse é o "x" da questão para a maioria das mulheres.

Homens reclamam que as mulheres são complicadas, mas se eles parassem um pouquinho para analisar a história das mulheres a conclusão seria muito fácil. As mulheres querem independência pelo medo da subordinação dos séculos anteriores, mas, também, querem ser cuidadas, mimadas, receber galanteios e ter aquilo que se chama de companherismo. Afinal, as mulheres ainda são frágeis e sentimentais (por mais fortes que aparentem).Assim, pela própria natureza da mulher, para um homem que respeite seus limites e seus anseios, por quê não ser um pouco Amélia pra ele se ele for um pouco Amélia para ela?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Novo ano, vida nova


Faz tempo que não posto nada. Eu sei. Esse ano, digamos, foi um ano de muitas mudanças. Eu mudei muito e repensei demais a minha vida. A mudança faz parte de nossa condição humana. Sempre temos que procurar a evolução, não é mesmo?

Não sei medir o quanto evolui nesse ano de 2011, mas uma coisa dentro de mim mudou definitivamente, isso é certo. Creio ser cedo para dizer que é, de fato, uma mudança drástica. Mas sinto que meus anseios são outros.

Para começar mais um ciclo de vida nada como ler novos livros, ter uma dose a mais de poesia e lirismo, certo? Comecei comprando "Shantaram" de Gregory David Roberts e "Cem anos de Solidão", ganhador do prêmio Nobel de Literatura, do famoso e idolatrado Gabriel Garcia Marquez. Estou terminando "Cem anos de solidão" e, nossa, era um livro que eu queria ler há séculos e estou me deleitando quando posso. Brevemente escreverei sobre o livro e sobre a densa e intrínseca relação entre os personagens de uma mesma família fadada a cem anos de solidão.

Bom, minha gente, sigamos assim: buscando sempre, evoluindo e desistindo jamais. Que venha 2012!

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Intrínseca mudança

Eu ultimamente tenho feito o exercício de me olhar no espelho. Não uma olhada comum no intuito de ajeitar os cabelos desalinhados ou checar a maquiagem. Na verdade, é um olhar interno... Daqueles que desnuda a alma.

Após estes últimos anos eu me sinto muito mudada. Desde sempre sinto que carrego duas personalidades comigo: uma delas é jovial, risonha, gosta de estar entre muitos amigos e é muito curiosa aos segredos da vida e a tudo o que diz respeito aos seres humanos; a outra é muito recatada, tímida talvez, gosta de lugares calmos e situações que lhe transmitam segurança... Definitivamente não gosta de excessos.

Muitas vezes essas duas personalidades se chocaram e eu fiquei perdida. Não sabia como agir em muitas situações e simplesmente fiquei apática. Não fiz nada. Deixei a correnteza me levar pra onde quer que ela quisesse, mas isso também não me fazia bem. Esta sensação de se sentir fora de controle me apavorava de certa forma...

Percebo que a pior sensação do mundo é aquela em que me sentia perdida em mim mesma, num total e completo vazio...

Agora, contudo, venho buscado minha paz interior. Percebo que não adianta forçar a felicidade sendo uma coisa que não sou. Essas personalidades são partes de mim e eu devo respeitar seus desejos e seus limites.

domingo, 10 de outubro de 2010

Comer, Rezar, Amar

Toda mulher tem um momento da vida que para e pensa: "o que estou fazendo?". É aquele momento em que tudo perde a graça, as pessoas são as mesmas de sempre e a excitação pelo simples prazer de acordar pela manhã vai embora e o desejo que fica é que o sono permaneça como um acalento para a alma.

Sim, o que uma jovem como eu sabe desse momento da vida de uma mulher? Não muito. Verdade. Mas o fato é que se analisarmos com calma veremos que o ritmo da vida tem se tornado muito mais agitado. Uma jovem como eu, hoje em dia, têm muito mais responsabilidades e cobranças. Vivemos no mundo da globalização e, portanto, da rapidez. Tudo tem que ser para o "agora" e isso torna tudo muito mais estressante.

Pode ser que eu ainda não tenha estado nesse momento ainda. Mas, sim, já me cansei de tudo ao meu redor. Me cansei da rotina, das pessoas e de mim mesma. Hoje, não tenho nem mais tempo pra me cansar. Mas gostaria de mudar o ritmo da minha vida. Algo que pudesse me extasiar.

Ah, não há limite de idade para quem assiste ao filme "Comer, Rezar, Amar" e que não tenha se identificado pelo menos um pouquinho com algumas das frustrações de Elizabeth e também na busca dela pelo seu sentido de vida. Pelo seu eu interior.

A fotografia do filme é linda e as músicas são uma inesperada delícia para os ouvidos. Além da belíssima música de Eddie Vedder "Better Days" o filme têm lindas canções de Bossa Nova. Um encanto!

Tudo bem! Cometi o pecado de assistir e não ler o livro. Mas, na atual fase em que me encontro, acho incrível eu estar escrevendo este post sendo que agora eu devia estar estudando alguma coisa...

Enfim, seja pela Itália e sua gastronomia que enche os olhos ou pela Índia e sua incrível espiritualidade ou por Bali com sua natureza exótica e junto com ela um inesperado amor, não há como não se encantar e não sair do filme rindo à toa...

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Senso de cidadania

As eleições se aproximam e essa vai ser a primeira vez que eu voto. Não posso deixar de pensar que carrego agora a responsabilidade de um país no meu poder de decisão. O voto é o símbolo da democracia, de um governo popular. Enfim, de um Estado Democrático de Direito.

Caramba! Já é domingo agora o dia em que todo mundo irá sair de suas casas no intuito de votar (inclusive eu). Não vou mentir que ainda não sei bem em quem votar para alguns cargos políticos. Algumas opções que tinha em mente eu acabei me decepcionando nesse meio tempo de análise (e devo dizer uma análise que nem chegou a ser muito profunda). Ainda nem sequer pesquisei a fundo sobre os candidatos e estou bem desesperada com isso.

Quero votar consciente e votar certo! Minha vida anda um caos... Estou sem tempo pra nada. Nada, nada mesmo! Estou dormindo pouco e tentando pôr todas as responsabilidades em dia (e está sendo uma tarefa MUITO difícil). Entretanto, eu sei que preciso agora arranjar um tempinho nos meus dias e rever todos os meus possíveis candidatos um a um.

Longe de mim fazer campanha política aqui. Acho que cada um deve ter sua consciência e votar naquilo que acredita e crê que seja bom para o país. Mas, como cidadã que sou, deixo aqui meu apelo para que todos que leiam este post reveja seus candidatos e vote com seriedade! Eleição não é brincadeira! Cada político possui um dever para a nossa socidade e uma escolha mal feita, certamente, trará péssimas repercussões no futuro.

Temos uma democracia jovem de apenas 22 anos. Nesse meio tempo o povo começou a se politizar e a perceber aos poucos que o seu voto faz a diferença. Passamos do tempo das oligarquias, do voto de cabresto e, principalmente, da ditadura. Resta o povo se conscientizar cada vez mais e atentar para sua privilegiada posição de legítimo e irrevogável poder no nosso Estado.

sábado, 21 de agosto de 2010

Eu não preciso mais de você

Júlia chegou em casa cabisbaixa. A bolsa pesava em seu ombro enquanto tinha em mãos vários livros da universidade. No ano anterior havia conseguido o feito de entrar no curso que queria numa instituição de respeito. Era uma jovem com menos de 20 anos, sorriso fácil e feições finas. Pelos padrões estipulados da sociedade ela era considerada bonita.

Tinha tudo o que uma pessoa de sua idade poderia querer: uma família amorosa, beleza e um futuro promissor.

Naquele dia, contudo, Júlia não se sentia feliz. Naquele dia ela havia terminado o seu namoro.

Ela ainda estava na escola quando o viu pela primeira vez. Eles eram compatíveis e Júlia, por ser uma menina de gostos excêntricos, se sentiu atraída. Ele não era o rapaz mais bonito do mundo, mas tinha uma conversa encantadora, uma inteligência vivaz e o dom de fazê-la rir com os gestos mais simples.

Logo de início se tornaram amigos e, como tinha de ser, a amizade evoluiu. Ele a pediu em namoro e ela aceitou prontamente. Eles dividiram seu tempo, suas alegrias, suas frustrações e o relacionamento que começou como um namoro entre adolescentes estava se tornando mais denso com o passar dos meses.

Naquele dia específico eles completariam um ano.

Júlia estava perdida em pensamentos. Lembrava-se de muita coisa e seu coração se apertava. Largou a bolsa e os livros em cima da mesa de seu quarto e ficou pensando no que a tinha feito terminar com o seu atual ex-namorado.

Começou a relembrar, então, os últimos meses que antecederam o término, na cobrança que um exercia sobre o outro e no peso que começou a sentir por estar namorando. Aquilo que havia feito ela exultar de felicidade antes a estava fazendo sentir uma tristeza sem tamanho. Eles brigavam sempre e não conseguiam mais dialogar.

Aquele doce romance que eles haviam tido agora era um relacionamento adulto e ela não sabia lidar com isso. Ela se assustava pensando nisso...

Júlia parou em frente ao espelho. As palavras estavam presas em sua garganta num grito abafado e os olhos inchados pelo choro. Seus dedos passeavam pela superfície fria a sua frente como se pudesse tocar a si mesma. Como se pudesse se consolar de alguma forma com aquele toque débil.

Ela havia aprendido de uma forma cruel que os sentimentos eram complicados.

Ela havia se tornado mulher.

Júlia deu um meio sorriso com a constatação e limpou as lágrimas com as costas das mãos. Foi então que ela vociferou baixinho ainda se olhando fixamente no espelho:

- Eu não preciso mais de você.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A vida como ela é

Engraçado como a vida às vezes nos prega umas peças que, na hora, nos irritam. Mas depois a gente acaba analisando tudo com a calma da serenidade e entende o que se passou como um aprendizado. A gente erra o tempo todo, pois se não errássemos não seriamos humanos.

Pessoas vem e vão de nossas vidas, mesmo que algumas permaneçam por mais tempo que outras. A verdade, entratanto, é que todas elas estão fadadas a irem embora de alguma forma e pra isso precisamos estar preparados para o "adeus". Essa dor que vem da despedida também é uma forma de aprendizado. Não existe melhor professora do que a dor, mesmo que ela seja cruel.

Podemos aprender sem dor... Verdade. Contudo, quando sentimos na pele, a tendência é que estejamos mais prontos para não sentirmos novamente.

Viver tem essa beleza abstrata que mistura alegria e tristeza; dor e prazer. Uma beleza que alguns não vêem, alguns negam e outros admiram. Não há certo e errado no quadro da vida. Existe aquilo que concebemos como certo e errado, pois cada um pinta a vida como quer.

A verdade é que não existe julgamento.

Não existe punição.

Existe a consciência.